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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Pior do que uma voz que cala, é um silêncio que fala


Simples! Rápido! E quanta força!
Imediatamente me veio à cabeça situações em que o silêncio me disse
verdades terríveis pois, você sabe, o silêncio não é dado a amenidades…
Um telefone mudo. Um e-mail que não chega. Um encontro onde nenhum dos dois
abre a boca. Silêncios que falam…
Quantas coisas são ditas na quietude, depois de uma discussão. O perdão
não vem, nem um beijo, nem uma gargalhada para acabar com o clima de
tensão. Só ele permanece imutável, o silêncio, a ante-sala do fim. É mil
vezes preferível uma voz que diga coisas que a gente não quer ouvir, pois
ao menos as palavras que são ditas indicam uma tentativa de
entendimento.
Cordas vocais em funcionamento articulam argumentos, expõem suas queixas,
jogam limpo. Já o silêncio arquiteta planos que não são
compartilhados. Quando nada é dito, nada fica combinado. Quantas vezes,
numa discussão histérica, ouvimos um dos dois gritar: “Diz alguma coisa,
mas não fica aí parado, me olhando”! É o silêncio de um mandando más
notícias para o desespero do outro.
É claro que há muitas situações em que o silêncio é bem vindo. Para um
cara que trabalha com uma britadeira na rua, o silêncio é um bálsamo. Para
a professora de uma creche, o silêncio é um presente. Para os seguranças
de um show de rock, o silêncio é um sonho. Mesmo no amor, quando a relação
é sólida e madura, o silêncio a dois não incomoda, pois é o silêncio da
paz.
O único silêncio que perturba é aquele que fala. E fala alto. É quando
ninguém bate à nossa porta, não há recados na secretária eletrônica e
mesmo assim você entende a mensagem…



[Martha Medeiros]



Sugestão da minha amiga Cristiane Quadros.
Retirado de: www.jornalculturanet.wodpress.com 

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