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quinta-feira, 30 de maio de 2013

Littles Einsteins

Os pais olham para seu bebezinho, babando com aquele rostinho lindo, e só pensam em apertá-lo, beijá-lo, protegê-lo de todo mal e toda a informação, pois, aquele cerebrozinho não está preparado para receber aprendizado antes da idade escolar, o que ele precisa é entretenimento com rabiscos e televisão, para ser uma criança feliz. 

Mas de repente, aparece um "geniosinho" de dois anos que acerta todas as bolas nas cestas de basquete, e um de três que toca bateria incrivelmente bem ou um outro que com apenas quatro resolve o cubo mágico em pouco mais de um minuto. Prodígios! Contudo quem merece os aplausos não são as crianças (tudo bem, essas fofuras também merecem) mas seus pais, eles foram os reais moldadores de tanto talento, os que, ao invés de subestimarem seus filhos e lhe oferecerem apenas vídeos e brincadeiras para distração, entregaram aos pequenos doses de conhecimento junto das brincadeiras para serem empolgadamente saboreados a cada aprendizado. 

Uma criança pequena não tem a mesma concentração de um adulto, se distrai e se entedia rápido, e não deve ser sobrecarregada de informação. Contudo, ela está instintivamente em busca de conhecimento que a leve a sobreviver e interagir, precisa apurar seus sentidos e se "especializar" nos sinais que a fará parte da sociedade.

Sendo assim, qualquer criança pode, se estimulada da maneira certa, surpreender com um potencial de aprendizado enorme, sem deixar de ser criança, já que aprender não significa deixar de brincar, se sujar, dormir, se lambuzar, pelo contrário, essas pequenas criaturas, conhecem e descobrem o mundo, exatamente dessa maneira, leve e gostosa, cheia de emoção, cheiros e gostos, que é ser criança.

Frases... [203]

Nem sempre o sol é sinônimo de calor.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Se o disco de vinil tocasse ao contrário

Se eu morasse sozinha, provavelmente, a casa ficaria por mais tempo arrumada, não gastaria com cigarros, e menos com comida e sobraria mais espaço no guarda-roupa. Se eu morasse sozinha, certamente, não teria quem me abraçasse a noite para me ajudar a fugir do frio, minha lista de tentativas culinárias seria bem menor,  não teria com quem dividir a pipoca doce um pouco queimada no meio da noite, não teria a quem cuidar e nem quem cuidasse de mim quando estivesse com dor. Os domingos, em casa, fazendo absolutamente nada voltariam a ser um tédio, secar o cabelo a noite não passaria de mais uma obrigação e teria que tirar o pijama para ir a padaria. Eu não teria quem fizesse o incrível ato romântico de se propor a me ajudar com a limpeza da casa e nem com quem dividir a grande conquista da primeira costela cozida na panela de pressão. Também ganharia menos da metade da metade de beijos e notas musicais. Além disso, se eu morasse sozinha não teria quem subornar para lavar a louça e, ainda por cima, não teria em quem colocar a minha parcela de culpa da bagunça e da sujeira.

Frases... [202]

"É comprida a estrada que vai desde a intenção até à execução." [Jean Molière]

domingo, 26 de maio de 2013

Histórias para uma visita

Quem vier nos visitar, hoje, vai encontrar uma kitinete de três peças, com um violão e um skate no canto de uma parede colorida cheia de desenhos e mensagens, uma guitarra no sofá, junto de uma cozinha não das mais arrumadas. Se quiser conhecer o banheiro e o quarto vão encontrar peças maiores do que geralmente as kitinetes costumam ter, um pouco arrumados, um pouco bagunçados, mas ótimos para um casal, praticamente, recém instalados em uma cidade nova.

Se quiser conversar e saber um pouco mais de como viemos parar aqui, vai saber que se viesse há pouco mais de dois meses atrás, iria encontrar duas peças que, juntas, são do tamanho da atual cozinha e com um banheiro três vezes menor do que o que acabara de ver. Vai descobrir também que se viesse há um pouco menos de seis meses, não teríamos onde o receber, mas poderíamos nos encontrar embaixo de alguma árvore de qualquer um dos parques lindos que esta cidade tem o prazer de oferecer.

Aquele que vier almoçar ou jantar conosco, provavelmente, não saberá que já trocamos a comida de mãe (que saudade!) por bolacha, salgados e sanduíches e outras refeições suspeitas. Quem entrar na nossa casa hoje, mal poderá imaginar que já passamos quase um mês vivendo dentro de um quarto, em qual os únicos móveis eram duas cadeiras que improvisávamos como cabides e prateleiras, um colchão no qual fugíamos do cansaço de andar pra cima e pra baixo procurando emprego, e onde, vez em quando, depois de uma boa chuva, encontrávamos um suave alagamento (e só temos a agradecer a estes que nos acolheram, pois sabemos que fizeram o melhor para nos abrigar, e sem sua ajuda ainda estaríamos apenas sonhando com a mudança). 


E tudo, foi bem mais fácil do que se imaginava, tudo passou mais rápido do que se contava. O sofrimento parece bem maior, hoje, olhando para trás, do que no tempo em que ele era presente, pois a felicidade de estar vivendo o nosso sonho, por mais estranho que fosse ele, nos tirava a atenção das dores e dos choros. E para quem vier nos visitar, hoje, contaria tudo isso não para mostrar a nossa conquista, mas para incentivá-lo a conquistar também o seu próprio mundo.

Frases... [201]

"Conhecer o homem - esta é a base de todo o sucesso." [Charles Chaplin]

quarta-feira, 27 de março de 2013

Se quiser jogar mais um tempo fora...

Às vezes, fico em dúvida se é só uma brincadeira ou se a vida fica testando por quanto tempo se consegue defender uma determinada ideologia. Também já não tenho mais certeza qual é o ponto em que esse tal quebrar a cara o tempo inteiro passa de servir para fortalecer aquilo em que se acredita para te dizer que já está no momento de você desistir do que defendia e mudar de ideia. Talvez a menina que tem medo e prefere se defender das pessoas esteja certa ao dizer que sempre há alguém querendo a fazer de idiota, só é uma questão de identificá-la. Provavelmente, a garota que diz que cada um tem a total responsabilidade sobre o que lhe acontece, também não esteja errada. No fim, quem sabe, sejamos nós mesmos os que nos fazemos de idiotas, para facilitar as coisas. Ignorar os fatos é mais fácil do que assumir de que tudo está mesmo uma porcaria. Nós mesmos ignoramos aquilo que nos faz mal, nós mesmos desacreditamos no que nos convém, somos nós quem nos deixamos acreditar também e quem decide enganar a si próprio. Ser idiota não é um problema. Em geral, é bom ser idiota. Idiotas riem de si mesmo, falam coisas bobas a toa, são mais felizes. Só não é bom descobrir-se idiota, passar de um idiota cego a um idiota que percebe que a realidade não é aquela sua ignorância e que já não sabe mais voltar ao oculto. Se torna um problema, quando o idiota percebe que não só ele ri de si mesmo, mas também o mundo inteiro. E aí bate aquela dúvida sobre o teste, a brincadeira ou se é tudo só uma coisa da sua imaginação idiota e toda essa baboseira é só mais uma perda de tempo.

Frases... [200]


“Não há dor que não passe, nem riso que não volte.”
[Sirlei L. Passolongo]

terça-feira, 26 de março de 2013

Mude seus hábitos, depois o mundo

Reclamamos do calor, mas não abrimos a janela para olhar o sol. Conotamos como urgente a presença de um feriado, mas desmerecemos o mesmo caso nada de divertido aconteça. Mentimos para nós mesmos para nos escoltar dos nossos próprios julgamentos, mas categorizamos qualquer mentira alheia como deslavada. Designamos uma repulsa por sempre ter a mesma coisa para comer, mas não nos dispomos a levantar e fazer algo diferente.

Citamos como descaso um animal perambulando pela rua, mas não deixamos o nosso gosto capitalista e padronizado de lado para adotar um companheiro às vezes nem tão belo assim. Cuspimos a péssima qualidade da educação pública, mas vamos para os locais de ensino sem vontade de aprender. Pregamos o moralismo nas redes sociais, mas não olhamos na cara do porteiro.

Buscamos volta e meia fugir de alguma blitz, mas reclamamos da falta de policiais nas ruas. Achamos burrice que nossa felicidade dependa da aprovação de terceiros, mas temos medo dos julgamentos alheios. Discorremos amar o sol, mas procuramos a sombra. Gostamos de misturar doces e salgados, mas não respeitamos os gostos alheios. Queremos sempre mais, mas não repensamos se realmente somos merecedores de mais.

Cobramos amizades fidedignas, mas não esperamos elas saírem de vista para tecermos comentários questionáveis. Queremos mais rapidez e acessibilidade da tecnologia, mas afrontamos a falta de brandura das pessoas. Deixamos de ajudar um mendigo por pré-julgamento de uso para alcoolismo, mas reclamamos que o mundo está carente de gentilezas.

Questionamos a programação televisiva, mas não trocamos um capítulo de novela para ler um livro. Dizemos não encontrarmos pessoas interessantes, mas por um momento não largamos a tela do celular para arriscar um simples olá. Observamos os erros alheios de uma ótica próxima, mas não damos três voltas dentro de nós mesmos. Sabemos receber todo amor do mundo, mas não sabemos perdoar os erros por excesso dele.

Acordamos com preguiça de levantar da nossa cama quentinha, mas classificamos pessoas sem condições de esmorecimento. Colocamos atenção em acusações injustas sobre nós, mas não olhamos quem colabora com opiniões regadas de amor e esmero.  Estamos constantemente munidos de críticas, vulgo construtivas, mas não sabemos nos desnudar perante uma.

Não abrimos mão do nosso conforto diário, mas indagamos sobre a poluição mundial. Queremos ligações genuínas com outras pessoas, mas bloqueamos sentimentos por meio de proteção. Gostamos da amplidão dos nossos egos exaltados, mas não aceitamos ser ignorados quando precisamos tanto ser vistos. Procuramos pessoas inteiras, mas só queremos doar metade de nós. Queremos mudar o mundo, mas não mudamos nossos hábitos.
Frederico Elboni

Frases... [199]

“E viva A – artigo definido feminino – MÚSICA!” [Sérgio Leandro]