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quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O mundo está preso

O mundo está perdido. Esta é uma frase que qualquer pessoa já deve ter se pego falando ou, ao menos, pensando, pelo menos uma vez, nestes últimos anos. E por que o mundo está perdido? Ou seria em que? Este, certamente, é o ponto em que está a divergência - os motivos - e é nesta divergência que o mundo está perdido. O mundo está perdido no meio das pessoas que buscam felicidade e das que buscam poder.

As que buscam felicidade são as que querem um mundo, realmente, melhor para todos os que vivem nele, repleto de liberdade, em que cada um possa ser quem quiser; as que almejam evolução nos mais variados sentidos e não pensam em retroceder aos tempos que já se passaram. O segundo grupo, por sua vez, concorda que, nos tempos antigos, tudo era diferente e que seria melhor, se voltasse a ser daquela forma, mas, por outro lado, não quer do passado os aspectos que não lhe trazem benefício algum.

Para este último grupo, antigamente, não existiam tantos homossexuais, ou pelo menos, não tinha tanta "sem-vergonhice" à mostra. Crê-se, assim, que estas pessoas nunca estudaram história, muito menos tenham realizado pesquisas sobre o tema; entende-se, também, que os seres humanos adoram sofrer preconceito, ter medo de apanhar ao caminhar, nas ruas, e ser rejeitado pela família; por isso há tantos gays. 

Além disso, para este grupo, o mundo está perdido por causa dos inúmeros casos de gravidez na adolescência. Contudo, com quantos anos nossas avós engravidaram? E nossas mães, tias, madrinhas? Ah, mas naquele tempo era diferente, elas casavam. Sim, naquele tempo, elas não tinham a opção de escolher o que era melhor para si e para seus filhos, elas deviam ficar para sempre presas ao seu marido, mesmo que ele fosse violento, ou não as fizessem bem. E quando a escolha se trata de se fazer um filho para os avós cuidarem? Isso seria uma contrapartida interessante deste grupo, porém, se antes isso não acontecia, como há tantas pessoas que foram criadas por seus avós?

Outro ponto importante para o mundo estar perdido, segundo este grupo, é a falta de religião. Ou seja, quando o sistema governamental era dirigido pelo clero, não havia problemas, tudo estava dentro da perfeita ordem, todos estavam felizes, todos podiam crescer e buscar melhoria de condições. Ademais, os países com liberdade religiosa, inclusive, com grande população ateia, e governo laico, como Suécia e Reino Unido, são, de longe, Estados mais violentos e com mais problemas sociais, que países como o Brasil e a Palestina, não?

Em contrapartida, pergunte a pessoas deste grupo se elas querem largar seus Ipads, Ipods, Iphones, máquinas de lavar roupa e louça, televisões a cores, etc. Para que largar se o mundo evoluiu? Mas, antigamente, o mundo não era melhor? E  por isso que este é o grupo dos que buscam o poder, o grupo dos antigos reis soberanos, dos déspotas esclarecidos, dos governantes corruptos, o grupo dos que só pensam em se auto-favorecer, que não querem um mundo em crescimento, pois isso seria dividir poder com muita gente. Claro que neste grupo há também os servos, que não sabem pra quê ou por quem estão lutando e todavia continuam na comodidade de não saber, defendendo ideais furados, com ênfase.

E assim, o mundo continua perdido, ou preso, por melhor dizer. Preso no preconceito, infeliz e inacreditavelmente, passado de geração a geração, segurando o mundo que quer buscar a felicidade, dia após dia, que se preocupa com o bem estar e a segurança pública, com o respeito às tradições, à religiosidade, à liberdade de expressão, que não quer combater a oposição, por combater; mas que quer discutir para um bem geral, lutar contra a desigualdade, e que sabe que o mundo não está lá como deveria estar, mas que quer andar para frente para resolver o que é preciso, buscando fazer com que o mundo se encontre, ao invés de continuar se perdendo ainda mais.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

A imortalidade dos mortais

A morte, como tudo que se desconhece, parcial ou completamente, é um tabu, no entanto, estive sempre ciente de que não há porque temê-la, de que ela é natural, e vai acontecer para todo mundo. Sempre ouvi minha mãe me dizer que a morte é covarde e sempre joga a culpa em algo, seja uma doença, acidente, crime ou idade, e, por mais que ela não seja uma estudiosa da área, sei que esta certa, pois a morte chega para todo mundo, é uma verdade inquestionável.

Nós, achamos que conhecemos a "Lei natural da vida", na qual os mais velhos morrem antes, os filhos enterram os pais. Mas é isto mesmo? Para a morte não há idade, morrem bebês, crianças, adolescentes, jovens, adultos, idosos, todo o tempo. A lei natural da vida é que todos encontrem o fim do seu ciclo. E ninguém sabe o tamanho do seu ciclo, sendo assim, não tem como saber quando chegará ao final.

John Green escreveu em "A culpa é das estrelas", "Alguns infinitos são maiores que outros", e a vida está realmente repleta de infinitos, feitos de pequenos momentos, mas que são imortais em nossas memórias. Alguns infinitos são tristezas que parecem que não vão terminar nunca, outros são alegrias tão intensas que parecem que nunca terão fim, há infinitos escondidos no sabor de uma comida que será sentido, talvez, apenas uma vez, numa roupa que te fez perceber a beleza que há em você e no sol que renasce todos os dias, mesmo por trás das nuvens. Há infinitos guardados na rotina e na quebra dela. Ninguém provou se há infinito além desta vida. O que todos sabem é que neste planeta, qualquer coisas que nasce, morre. Sejam as plantas, os animais terrestres, aquáticos, sejamos nós, os meros mortais.

Ao mesmo tempo, há a famosa frase "Nada se cria, tudo se transforma". Uma semente que morre, deixa lugar para uma flor, que por sua vez, murcha e vira adubo para aquele solo que lhe acolheu, para que se acolha outra vida no local, que também cumprirá seu ciclo. E assim, com todos os elementos do globo: um dá lugar ao outro, se transforma em outro, morre, mas morre com a importância de dar continuidade ao ciclo da vida.

A nossa sorte, é que não precisamos morrer para uma flor crescer no coração de alguém, ou padecer para adubar o conhecimento. E também, certamente, quando o nosso fim chegar, não será em vão, certamente, não seremos exceções, nossa morte também será parte importante neste ciclo. Nos transformaremos, seja numa lembrança boa, numa imortal saudade, numa motivação sem igual ou um exemplo que tratá o sucesso para alguém.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Diga sim ao amor

Há mais ou menos uma semana li um texto sobre a "lei da palmada", como era chamada até então, e o assunto ficou girando na minha cabeça e me fez refletir em como, um dia, eu mesma pude acreditar que um tapinha, às vezes, poderia ser necessário na educação de uma criança e chegar à conclusões sobre porque as pessoas usam a violência para fazer com que seus filhos as obedeçam.

Os animais só atacam quando se sentem ameaçados, e os humanos, quando deixam seu racional de lado, agem da mesma forma. Os pais têm medo de que seus filhos não sigam suas regras e se machuquem, risquem a parede, não queiram se alimentar direito, tomar banho, entre outras coisas, e têm medo, principalmente, de falharem na formação destes serzinhos que eles tem o dever de transformar em homens e mulheres "de bem". Quando, os adultos sentem sua autoridade ameaçada, por não conseguirem "ensinar" seus pequenos humanos, acabam usando da força para amedrontá-los e forçá-los a seguirem o que estão querendo que façam. O que estes não percebem, infelizmente, é que esta atitude, não educa e não traz crescimento nenhum, e sim faz com que as crianças obedeçam (isso quando obedecem), por medo e não por aprendizado ou respeito. 

No entanto, a medida que o tempo passa, elas aprendem que podem fazer coisas às escondidas, para não apanhar, ou até mesmo cometem os erros sabendo que vão levar uns tapas, por perderem o medo da dor ou não se importarem com ela, até chegar à idade em que não tenham mais tamanho para apanhar, e então, não se tornam mais controláveis e passam a ter atitudes prejudiciais a si mesmos, por vontade ou por não terem aprendido que determinadas ações trazem consequências que não são boas para quem as comete.

Sendo assim, chegamos a três importantes levantamentos. O primeiro é que os pais ao agirem assim, estão tentando controlar seus pequenos e, como o texto que eu li dizia, os filhos não são propriedades dos pais, os pais devem cuidar e educar suas crianças para se tornarem adultos inteligentes, conscientes e que busquem o melhor caminho para si próprios. O segundo, o qual também era explanado no texto em que me inspirei, é que até agora este tipo de educação não deu certo, as "palmadinhas" só criaram adultos que quando se sentem acoados, sem argumentos, partem para a violência física, chegando ao ponto de matar alguém por não terem conseguido o que queriam.  E o terceiro, o qual eu considero mais importante, é que crianças são esponjas, que absorvem informações de todos os cantos, todavia, principalmente, das ações que os cercam. Como alguém pode esperar que seu filho não seja histérico e agressivo, quando está diante de gritos o tempo todo ou recebendo correções físicas por atos que, apesar de saberem que são errados, não tem conhecimento da real gravidade de a terem cometido?

Não sou mãe, mas observo a educação das crianças que conheço, pois acho importante encontrar pontos positivos e negativos de uma criação, para evoluir meu pensamento antes de colocar um novo ser, no mundo, e no meu último emprego, trabalhando de recepcionista, em uma clínica, me deparei com exemplos muito nítidos de como o exemplo dos pais e a forma que eles usam as palavras refletem nas crianças, assim como o estresse e falta de paciência dos mesmos. 

Por um tempo, acreditei que as crianças eram uns verdadeiros monstrinhos, que não sabiam se comportar, gritavam, choravam, rasgavam revistas e batiam coisas o tempo, por serem criaturas que não conseguiam controlar sua energia e não tinham maturidade para ficarem esperando com educação em uma recepção. Contudo, ao observar melhor, comecei a perceber que a maior parte da culpa era de quem os acompanhava, adultos que falavam alto, gritavam com as crianças, as seguravam e as chacolhavam com força para tentar causar obediência. 

Foi durante essa observação, que eu conheci o maior exemplo de que os filhos são espelhos dos seus educadores, uma menina de aproximadamente três anos, que eu nem percebi que estava na sala, e seu irmão, que com dezoito anos não se parece nada com os outros adolescentes que entram por aquela porta, pois os dois são serenos e educados, realmente, diferente do que eu estou acostumada a lidar. Seus pais são dois professores que, ao meu ver, são exemplos de como os pais deveriam tratar seus filhos, conversando, explicando o porquê cada ação deve ser tomada. Quando a pequena de três anos deixou seu guarda-chuva na cadeira da recepção e um papel no chão, seu pai a pediu que pegasse seu objeto e também que juntasse o papel, explicando o lugar de cada coisa. A menina obedeceu e, certamente aprendeu uma lição. Outra vez, ela chegou cansada e braba, no colo da mãe, porém não estava agressiva, como a maioria dos bebês que eu vejo, se debatendo, querendo dar tapas e gritar, ela só ficou acolhida nos braços da mãe, sem vontade de conversar, mas sem desrespeitar ninguém.

Conhecer esta família, foi um grande passo para minha noção de aprendizado e educação. Me fez perceber, de vez, que nada é mais forte que o exemplo e o discurso. Ter uma rotina das refeições com sua família, tornar a criança acostumada com os alimentos certos e ensinar porque ela não pode comer certas comidas em certos horários, surte mais efeito que obrigá-la a se alimentar com brigas e pressão. Um filho ver os pais lendo, compartilhando de leituras e estudos desde sempre e instigado a ser curioso em aprender coisas novas, não precisará ser obrigado a ler e fazer as tarefas da escola. Da mesma forma, se uma pessoa é criada desde que nasce, em um ambiente em que as pessoas resolvem seus problemas com diálogo, no qual pode contar com conselhos e discussões inteligentes quando está com um problema e no qual ao invés de receber castigos, recebe ajuda para perceber que atos trazem consequências e auxílio para mudar suas atitudes, não vai querer tomar um rumo que lhe traga uma vida ruim e nem precisará usar de meios inadequados para conseguir o que quer, pois tem o que necessita: sabedoria.

Logicamente, criar um filho não é só isso, tem muitos poréns, várias exceções e situações diferentes, reações diversas. Obviamente, nenhum pai ou mãe será perfeito na criação de uma criança, pois no ser humano existem as virtudes, mas também os vícios, o erro é inerente a quem vive e não há quem não os cometerá. Também, em nenhum momento, afirmei que é fácil usar de argumentos, até porque para isso é preciso tê-los, é necessários ter sabedoria para transmiti-la, não há como doar o que não se possui. E não é fácil, educar um filho, não é nada fácil, e nunca vi alguém dizer isso. Educar, no sentido mais verdadeiro da palavra, exige dos pais que os mesmos aprendam, estudem, encontrem seus próprios erros e os corrijam o mais rápido possível, reclama energia, esforço, zelo cuidado, obriga entrega total. 

Portanto, se o que se quer é chegar ao dia em que o mundo será povoado de pessoas íntegras e sábias, o método "mais fácil", não vai resolver. Se o que se quer é um mundo melhor, é preciso sim, o quanto antes, substituir a elevação das mão e da voz na criação dos nossos pequenos seres, pelo aumento de diálogo e conhecimento nestes contidos.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Depois do casulo

Nem todo mundo gosta de lagartas, talvez por serem um pouco feias, ou estranhas, ou nojentas aos seus olhos. Mas, ainda bem, que existe o tal do casulo, a metamorfose. E então seu cabelo mudou, seu jeito de usar suas roupas mudou e seu rosto está mais colorido. Ela já não anda pelos mesmos lugares e já aprendeu a fazer do que gosta algo mais produtivo. Ela agora pode voar. E o engraçado, é que muito mais pessoas gostam de lagartas com asas, mesmo elas não deixando de ser lagartas. Pois ela não deixou de gostar do que gostava, continua com seus defeitos, aprendeu a mudar alguns, mas as chatices continuam ali, nunca deixou de ser quem era e fazer o que fazia, ela ainda é uma lagarta, mas agora, ela é uma lagarta voadora. E a leveza e colorido das suas asas chama toda a atenção. E a forma que ela passou a levar a vida, de flor em flor, de pólen em pólen, mudou também seu jeito de ser no mundo. E talvez, seja por isso que prefiram as borboletas às lagartas, pelo jeito seu livre de colorir o mundo por onde passa, sem medo de ser quem é.

Frases... [217]

"Quando eu era jovem, pensava que o dinheiro era a coisa mais importante do mundo. Hoje, tenho certeza." [Oscar Wilde]

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Mascarar não é resolver

Não pode, não pode e não pode. 

É mais fácil decretar que menor não pode trabalhar para impedir que se escravizem crianças, ao invés, de legalizar e fiscalizar um trabalho para menores dentro do que é aceitável, sem o tirar da escola e sem o explorar. Certamente, há gráficos que mostram que o trabalho infantil diminuiu, porém ao mesmo tempo o gráfico de criminalidade continua subindo e ainda há um grande número de crianças trabalhando para sustentar sua família, vítimas do desemprego e da pobreza, por sua vez causados por corrupção e má distribuição de renda. 

Facilidade se encontra, ainda, em criar artifícios para "manter" as crianças na escola. Os números do Ideb melhoram a cada ano, mas pergunte para uma professora da escola pública quantos alunos que abandonam a escola, tem nos seus cadastros "transferidos" e quantos passam de ano sem ter aprendido o que deviam.  

A escravidão continua acontecendo com crianças e adultos, mesmo depois da abolição. A fome e a pobreza não será sanada com campanhas enquanto o desvio de verbas não parar, e uma forte mudança no embasamento das famílias não começar. A hostilidade racial não acaba na alteração de termos, já que o preconceito não está (só) na palavra e sim em como ela é dita. Combater a criminalidade diminuindo a maioridade penal, e continuar incentivando o consumismo, o amor pelas coisas, e ignorando as falhas na base da estrutura familiar básica, não vai deixar as cidades mais seguras. 

Se só palavras e leis radicais mudassem a situação, nosso país seria o que alcançaria o topo da lista de melhor lugar para se viver. Palavras tem força, leis tem força, mas o que muda algo são as atitudes. O radicalismo conseguiu "inclusões" forçadas, "respeito" forçado, e pessoas sendo as mesmas pessoas que sempre foram, com uma máscara de aceitação. 

Mascarar não é resolver.  E resolver não é fácil, no entanto, não é impossível. 

Considerado utopia ou não, o que a sociedade precisa são mudanças reais, que precisam de vontade e empenho real. Atitudes emergenciais podem e devem ser tomadas para atender ao urgente, enquanto as atitudes a longo prazo estão sendo colocadas em prática. O que não pode é continuar, somente, ditando o que não pode, sem criar base para uma mudança verdadeira.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Um rótulo só

Se nasceu menino e quer ser menina é transexual. Se nasceu menina, e gosta de menina, é gay. Se nasceu menina, quer ser menino e gosta de menino é transexual e gay. Se gosta de gente, é bi. 

É uma necessidade sem fim de rotular pessoas, seguida de uma indignação com relação a "este mundo que já não é mais o mesmo", quando não se consegue fazer com que essas criaturas, chamadas seres humanos, parem dentro dos potes onde foram colocados com a etiqueta de sua categoria. 

Estava tão mais fácil quando os menininhos ficavam vestidos de menininhos e gostavam (ou diziam que gostavam) só de menininhas e as menininhas ficavam vestidinhas de menininhas fazendo seu trabalho como menininhas. Todos ficavam (aparentemente) quetinhos nos seus lugares, até que cansaram. Por mais disciplinado que qualquer um seja em manter as aparências, chega um momento que a necessidade de ser quem se quer ser fala mais alto, e quando é uma necessidade conjunta, ela não só fala alto, ela grita.

E a culpa parece ser das pessoas, que não param quietas, sendo que o real problema está nos rótulos. Onde está a explicação para tantos rótulos? Qual a utilidade deles, quando não se trata de avisar a alguém que aquele frasco contém veneno? Nunca foi visto categorização de pessoas quebrar preconceitos, provocar aceitação. Categorização sempre serviu para separar, deixar bem claro onde cada um deve ficar e o que deve fazer. Rótulos em pessoas, não explicam nada, o que explica algo são as próprias pessoas falando, dividindo suas experiências e mostrando que somos muito mais exceções que regras.

Ser hetero, homo, bi, trans não diz nada sobre ou a uma pessoa, e até chega a confundir as próprias pessoas a quem se referem que, às vezes, nem sabem em que categoria se encaixam. Então, quem elas são? Nós somos, quem sentimos ser, o que queremos vestir, a aparência que queremos mostrar, o amor a quem e como queremos transmitir. Somos pessoas, todas dentro do mesmo pote, com o mesmo e único rótulo grande, no qual se lê "GENTE".

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Ampliarei a felicidade

Farei viagens longas, curtas, do outro lado do oceano, do lado de cá da fronteira, de todos os tipos e tamanhos, conhecendo cada pedacinho de mundo que foi criado e construído, para depois voltar correndo para casa, aquele único lugar do planeta que cada um  chama, verdadeiramente, de lar. Terei uma vida agitada, com dias de semana cheios, cheios de movimento, de satisfação, de resultados, e finais de semana tranquilos, com um ou vários sorrisos por perto e, também ao contrário, dias de semanas tranquilos e finais agitados. Apreciarei um pouco de tudo, um pouco de sossego, um pouco de distância, um pouco de apego, e também de muito, muito de momentos, muito de pessoas, muito de felicidade. Serei sempre de querer tudo que já tenho em tamanho ampliado. Pois, já não preciso de mais nada, nada de mais... a não ser tempo e dinheiro. Mas isso, quem não quer? Há quem queira também um amor, daqueles do jeitinho que se sonha, mas este eu já tenho, com quem farei viagens longas e curtas e voltarei correndo para o nosso lar de vida tranquila e agitada.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Entende?

Você acha que eu não te entendo, porque eu não consigo enxergar o mundo da sua maneira. Ou melhor, porque eu não quero enxergá-lo assim. Eu eu, do outro lado, penso que você é quem, às vezes, não se entende com essa sua maneira de querer as coisas de um jeito e percebê-las de outro.

Sim, eu entendo que você queria que tudo fosse perfeitamente como você quer, que o mundo gire e as coisas aconteçam ao seu favor, que você não precise escolher entre ter mais tempo e mais trabalho, que você não precise escolher entre esperar e fazer já, que você não precise escolher. Que você possa pedir e "puft" as coisas se arrumarem, e que por não ser assim, nada sai como você queria. Ou falta uma coisa ou falta outra. Sim, eu entendo. Eu sei que as coisas são difíceis pra você.

No entanto, pra mim, o mundo é um bom tanto mais simples, basta eu escolher, não importa se eu tenha que abrir mão de alguma coisa, ou se eu tenha que esperar, ou se eu não gosto da professora, ou se alguns dias vou chegar mais tarde, ou se eu só folgue uma vez por semana. Eu me sinto bem com os desafios e me satisfaço com as recompensas.

Então, não é que eu não te entenda, eu só não quero enxergar o mundo do seu jeito, eu não quero acreditar que as coisas sejam tão difíceis. Eu gosto da minha maneira de ver as coisas, eu gosto de sentir que a vida é simples e gostosa e é só por isso que os meus conselhos são para que você também veja as coisas assim, mas eu entendo se pra você for difícil.

domingo, 21 de julho de 2013

Tênue linha entre opinião e hipocrisia


Todos querem seu espaço e opinião respeitados, mas todo mundo tem, também, uma enorme dificuldade em entender que o outro também tem direito a esse respeito. É óbvio que não há como adivinhar o que o outro quer, o que vai o deixar chateado e o que para ele é respeito, já que seres humanos são bem complexos e diferentes uns dos outros, mas não custa perguntar ou, por via das dúvidas, ficar quieto no seu lugar. Aí entra a tal liberdade de expressão para dizer que cada um pode falar o que bem entender e o problema é do outro, mas o problema não é só do outro não, e a liberdade de expressão também não está errada, o problema é que uma pessoa sabe muito bem como defender o seu direito de expressar o que quiser, mas não tem capacidade de aceitar que o outro também tem a liberdade de responder o que quiser, sendo, ou não, inteligente a altura que se espera. O problema está em ficar irritado quando alguém pega as suas coisas, mas não saber pedir para pegar algo que não é seu por pensar que o outro não se importa, ou querer matar alguém que está escutando uma música que lhe incomoda, mas não pensar duas vezes antes de escutar a sua música favorita em um lugar onde há mais pessoas além de si próprio. E assim por diante. Não é fácil se colocar no lugar do outro, mas se assim não for feito, falar de respeito nunca vai passar de mais uma hipocrisia. Simplificando: pensar nas próprias atitudes, antes de sair despejando opinião, não dói e e é o mínimo a se fazer como ser humano que vive em sociedade e quer seu espaço nela.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Uma suposição

Você, por algum motivo qualquer, cai em mundo por aí, no qual existe uma fruta amarela redonda e brilhante. Todos ali dizem que ela não é gostosa, que não gostam do cheiro, que ela faz mal para a saúde e até mata. A informação que você recebe dos meios de comunicação é que quinze por cento da população a consome e que esse número só está diminuindo. No entanto, a metade das pessoas que você conhece, ali, comem essa fruta o tempo todo, na rua, para todo o lugar que você olha, a frutinha está presente, sendo saboreada. Ela é vetada de alguns lugares, mas as pessoas, assim que podem sair deles, pegam suas amarelas esferas malignas para saboreá-las. Você descobre uns três casos de gente um pouco próxima que foi levada ao óbito por este fruto maldito e uns outros que consumem a fruta a anos e ainda estão vivinhos da silva, garantindo que se quisessem não a comeriam mais, que se ainda a comem é porque querem. Você nunca nem se atreveu a experimentar a fruta, pois, em uma coisa todos concordam, ela é viciante e, depois de pouco tempo, já fica muito difícil suspender seu uso. Além disso, aquele gosto horrível e cheiro, do qual foi falado, faz você andar torto a hora que experimenta, mas isso passa com outros consumos. Com o uso frequente, o fruto parece até sumir com a tristeza por algumas horas... Você nunca comeu o fruto, só tem as informações, alguns indícios e pessoas que comem e falam pra você não comer. Qual seria sua atitude?

quarta-feira, 10 de julho de 2013

O dia em que foi parar no hospício

Talvez já tenha atingido o estado de loucura ao pensar que estão todos conspirando a favor de testar o que se chama sanidade.

Ou talvez, tenha somente chegado à idade na qual todas as loucas criaturas de tamanho reduzido, que imaginam o mundo como querem, se transformam em gigantes, que conseguem ver o mundo (que acreditam ser) real. 

Neste mundo, de gente crescida, ninguém pode sair de pijamas as ruas, ou fantasiados com roupas de fadas, super-heróis da televisão ou animais bonitinhos, ou fazer qualquer outra coisa destinada aos de estatura baixa, mas podem usar máscaras e se passarem por personagens diferentes, sem trocar de vestimenta. Os doces são trocados por bebidas e outras substâncias amargas, mas o efeito continua sendo o mesmo, deixar as criaturas sorrindo.

E por aí vai, reticências e reticências, até parar num sanatório sem sair do lugar.

domingo, 9 de junho de 2013

Frases... [204]

"O escândalo do mundo é o que faz a ofensa, e pecar em silêncio não é pecar totalmente." [Jean Molière]

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Littles Einsteins

Os pais olham para seu bebezinho, babando com aquele rostinho lindo, e só pensam em apertá-lo, beijá-lo, protegê-lo de todo mal e toda a informação, pois, aquele cerebrozinho não está preparado para receber aprendizado antes da idade escolar, o que ele precisa é entretenimento com rabiscos e televisão, para ser uma criança feliz. 

Mas de repente, aparece um "geniosinho" de dois anos que acerta todas as bolas nas cestas de basquete, e um de três que toca bateria incrivelmente bem ou um outro que com apenas quatro resolve o cubo mágico em pouco mais de um minuto. Prodígios! Contudo quem merece os aplausos não são as crianças (tudo bem, essas fofuras também merecem) mas seus pais, eles foram os reais moldadores de tanto talento, os que, ao invés de subestimarem seus filhos e lhe oferecerem apenas vídeos e brincadeiras para distração, entregaram aos pequenos doses de conhecimento junto das brincadeiras para serem empolgadamente saboreados a cada aprendizado. 

Uma criança pequena não tem a mesma concentração de um adulto, se distrai e se entedia rápido, e não deve ser sobrecarregada de informação. Contudo, ela está instintivamente em busca de conhecimento que a leve a sobreviver e interagir, precisa apurar seus sentidos e se "especializar" nos sinais que a fará parte da sociedade.

Sendo assim, qualquer criança pode, se estimulada da maneira certa, surpreender com um potencial de aprendizado enorme, sem deixar de ser criança, já que aprender não significa deixar de brincar, se sujar, dormir, se lambuzar, pelo contrário, essas pequenas criaturas, conhecem e descobrem o mundo, exatamente dessa maneira, leve e gostosa, cheia de emoção, cheiros e gostos, que é ser criança.

terça-feira, 26 de março de 2013

Mude seus hábitos, depois o mundo

Reclamamos do calor, mas não abrimos a janela para olhar o sol. Conotamos como urgente a presença de um feriado, mas desmerecemos o mesmo caso nada de divertido aconteça. Mentimos para nós mesmos para nos escoltar dos nossos próprios julgamentos, mas categorizamos qualquer mentira alheia como deslavada. Designamos uma repulsa por sempre ter a mesma coisa para comer, mas não nos dispomos a levantar e fazer algo diferente.

Citamos como descaso um animal perambulando pela rua, mas não deixamos o nosso gosto capitalista e padronizado de lado para adotar um companheiro às vezes nem tão belo assim. Cuspimos a péssima qualidade da educação pública, mas vamos para os locais de ensino sem vontade de aprender. Pregamos o moralismo nas redes sociais, mas não olhamos na cara do porteiro.

Buscamos volta e meia fugir de alguma blitz, mas reclamamos da falta de policiais nas ruas. Achamos burrice que nossa felicidade dependa da aprovação de terceiros, mas temos medo dos julgamentos alheios. Discorremos amar o sol, mas procuramos a sombra. Gostamos de misturar doces e salgados, mas não respeitamos os gostos alheios. Queremos sempre mais, mas não repensamos se realmente somos merecedores de mais.

Cobramos amizades fidedignas, mas não esperamos elas saírem de vista para tecermos comentários questionáveis. Queremos mais rapidez e acessibilidade da tecnologia, mas afrontamos a falta de brandura das pessoas. Deixamos de ajudar um mendigo por pré-julgamento de uso para alcoolismo, mas reclamamos que o mundo está carente de gentilezas.

Questionamos a programação televisiva, mas não trocamos um capítulo de novela para ler um livro. Dizemos não encontrarmos pessoas interessantes, mas por um momento não largamos a tela do celular para arriscar um simples olá. Observamos os erros alheios de uma ótica próxima, mas não damos três voltas dentro de nós mesmos. Sabemos receber todo amor do mundo, mas não sabemos perdoar os erros por excesso dele.

Acordamos com preguiça de levantar da nossa cama quentinha, mas classificamos pessoas sem condições de esmorecimento. Colocamos atenção em acusações injustas sobre nós, mas não olhamos quem colabora com opiniões regadas de amor e esmero.  Estamos constantemente munidos de críticas, vulgo construtivas, mas não sabemos nos desnudar perante uma.

Não abrimos mão do nosso conforto diário, mas indagamos sobre a poluição mundial. Queremos ligações genuínas com outras pessoas, mas bloqueamos sentimentos por meio de proteção. Gostamos da amplidão dos nossos egos exaltados, mas não aceitamos ser ignorados quando precisamos tanto ser vistos. Procuramos pessoas inteiras, mas só queremos doar metade de nós. Queremos mudar o mundo, mas não mudamos nossos hábitos.
Frederico Elboni

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Navegar eu quero

É tudo tão novo e diferente que é impossível não ficar assustada. Um lugar desconhecido, experiências desafiadoras, um mundo totalmente novo e, eu, marinheira de primeira viagem. Uma marinheira ansiosa pelas ondas do mar e temerosa pelas tempestades agitadas. 

Mas lembrar que no meio de uma multidão de estranhos há um rosto conhecido, me deixa muito mais tranquila. Não apenas pelo fato se ser um conhecido, mas por ser o seu rosto, acompanhado da sua mão segurando a minha, dos seus braços envolta de mim e da sua voz me dizendo que está ali.

E assim, esse novo mundo passa de assustador para incrível e os desafios se tornam instigantes e as ondas e as tempestades tornam-se apenas o mar.

E eu me dou conta que sou uma marinheira com frio na barriga pelo primeiro embarque, mas que sou uma medrosa cheia de coragem, disposta a navegar, pronta para encarar todos os monstros dos sete mares se for preciso, pelo simples motivo de você estar do meu lado, me lembrando de que tudo vai dar certo.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Meu artista favorito

Ainda não descobri exatamente o nome deste moço que fica entrelaçando os pedaços de fio das vidas alheias para fazer com que elas se cruzem, e que se importa em fazer com que o tecido fique uma obra prima detalhada e suficientemente linda para ser observada diariamente, por anos ou mais. Um artista tão completo e, como todos os outros, tão pouco compreendido. Por aí já andaram chamando-o de destino, mas hoje, acredito que ele prefira usar outro nome, pois esse já está um pouco gasto, banal talvez. Sinto, em saber que as pessoas ainda não aprenderam a admirar os espetáculos na grandiosidade em que acontecem, jogando-os no canto das coisas para se importar quando sobrar tempo. Pobres artistas. Contudo, agradeço, a esse homem de chapéu branco e sorriso no rosto, que eu prefiro não chamar como a maioria, por ter me trazido os sonhos tão perto e ter feito apresentações lindas, sem se importar com a quantidade de espectadores na platéia. Incríveis artistas. Como por todas as outras artes, estou apaixonada, mas essa que este moço me apresentou é a minha favorita e jamais vou me esquecer dela.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Uma dica para todas as outras dicas

Não se precipite, não coloque obstáculos antes de começar a caminhar, apenas faça uma coisa de cada vez e o mundo vai começa a girar no sentido que você quer. Não atropele o tempo, não julgue a rapidez com que os fatos deveriam ou não acontecer, apenas faça a sua parte, com calma, um dia após o outro. Não desista e não tente prever o futuro, apenas faça com vontade e um pouco de cautela, e esteja preparado para as respostas que vierem, pois, geralmente, elas não virão como você está esperando, o que não significa, necessariamente, que serão ruins por isso. Nada sai exatamente do nosso jeito, mas isso não quer dizer que não esteja caminhando para o lado certo. Acredite, aja e o resto vem.

domingo, 7 de outubro de 2012

Frases... [152]


"Olhe o mundo com a coragem do cego, entenda as palavras com a atenção do surdo, fale com a mão e com os olhos, como fazem os mudos." [Cazuza]


sábado, 22 de setembro de 2012

Nobody knows

O sol ainda não havia nascido, e você estava ali, decifrando os meus pensamentos com a maior facilidade, enquanto eu fracassava ao tentar desvendar os seus. Esfriou. O mundo provavelmente estava desabando lá fora, mas eu não estava me preocupando com mais nada além das batidas do seu coração perto do meu. Repetimos algumas frases, apenas para garantir que não fossem esquecidas. Talvez a terceira guerra mundial fosse declarada ao amanhecer, mas, tudo bem, resolveria isso algumas horas mais tarde, quando os raios do sol me fizessem abrir os olhos. Tinha acabado de tomar a segunda dose de adrenalina da noite, e dessa vez, em ótima companhia. O que viria depois era problema do futuro, no momento a única coisa que importava é que não eu precisava ir embora tão cedo.