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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Viver extravia

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Hoje uma amiga me pediu desculpas porque perdeu o livro que a presenteei de aniversário, em um passeio no parque. Então eu pensei, que bom, pois tenho tantos livros na estante que não tirei de lá pra ler, muito menos para levar num passeio ao parque.

Aprendamos um pouco mais com a leveza da felicidade das crianças. As julgamos por quebrarem seus brinquedos. Mas elas não estão fazendo nada de mais, elas só estão sendo felizes, elas só estão vivendo. Os brinquedos que elas não gostam, geralmente, ficam num canto,  muitas vezes intactos.

Assim como nós. Por que nós estragamos ou extraviamos justo aquelas coisas que nós mais gostamos?

Porque roupas muito bem guardadas não mancham, rasgam ou desbotam. Acessórios não quebram por enroscarem em algo ou caem no meio de uma pista de dança para nunca mais serem encontrados, se ficarem seguros dentro de um porta-jóias. Não molhamos, rasgamos ou perdemos livros que ficam enfeitando a estante de casa. Tênis não furam e saltos não quebram, dentro da sapateira. A caneca não suja se ninguém colocar café dentro dela, o sofá não rasga numa vitrine de loja e a panela não encarde, se não for tirada da caixa. Maquiagens, cremes e perfumes nunca vão terminar, se nunca forem usados.

Um objeto guardado é só mais um objeto. Uma coisa é só uma coisa. Não cria vida sozinha. Um objeto só vira lembrança, quando estão vivendo com a gente.

E viver mancha, quebra, desbota, molha, rasga, perde.

Por isso, não se entristeça quando algo não tão bom assim acontecer com algo que é seu, fique feliz por você ter usado um objeto, que podia ser só mais um objeto, para fazer parte da sua felicidade.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Diga sim ao amor

Há mais ou menos uma semana li um texto sobre a "lei da palmada", como era chamada até então, e o assunto ficou girando na minha cabeça e me fez refletir em como, um dia, eu mesma pude acreditar que um tapinha, às vezes, poderia ser necessário na educação de uma criança e chegar à conclusões sobre porque as pessoas usam a violência para fazer com que seus filhos as obedeçam.

Os animais só atacam quando se sentem ameaçados, e os humanos, quando deixam seu racional de lado, agem da mesma forma. Os pais têm medo de que seus filhos não sigam suas regras e se machuquem, risquem a parede, não queiram se alimentar direito, tomar banho, entre outras coisas, e têm medo, principalmente, de falharem na formação destes serzinhos que eles tem o dever de transformar em homens e mulheres "de bem". Quando, os adultos sentem sua autoridade ameaçada, por não conseguirem "ensinar" seus pequenos humanos, acabam usando da força para amedrontá-los e forçá-los a seguirem o que estão querendo que façam. O que estes não percebem, infelizmente, é que esta atitude, não educa e não traz crescimento nenhum, e sim faz com que as crianças obedeçam (isso quando obedecem), por medo e não por aprendizado ou respeito. 

No entanto, a medida que o tempo passa, elas aprendem que podem fazer coisas às escondidas, para não apanhar, ou até mesmo cometem os erros sabendo que vão levar uns tapas, por perderem o medo da dor ou não se importarem com ela, até chegar à idade em que não tenham mais tamanho para apanhar, e então, não se tornam mais controláveis e passam a ter atitudes prejudiciais a si mesmos, por vontade ou por não terem aprendido que determinadas ações trazem consequências que não são boas para quem as comete.

Sendo assim, chegamos a três importantes levantamentos. O primeiro é que os pais ao agirem assim, estão tentando controlar seus pequenos e, como o texto que eu li dizia, os filhos não são propriedades dos pais, os pais devem cuidar e educar suas crianças para se tornarem adultos inteligentes, conscientes e que busquem o melhor caminho para si próprios. O segundo, o qual também era explanado no texto em que me inspirei, é que até agora este tipo de educação não deu certo, as "palmadinhas" só criaram adultos que quando se sentem acoados, sem argumentos, partem para a violência física, chegando ao ponto de matar alguém por não terem conseguido o que queriam.  E o terceiro, o qual eu considero mais importante, é que crianças são esponjas, que absorvem informações de todos os cantos, todavia, principalmente, das ações que os cercam. Como alguém pode esperar que seu filho não seja histérico e agressivo, quando está diante de gritos o tempo todo ou recebendo correções físicas por atos que, apesar de saberem que são errados, não tem conhecimento da real gravidade de a terem cometido?

Não sou mãe, mas observo a educação das crianças que conheço, pois acho importante encontrar pontos positivos e negativos de uma criação, para evoluir meu pensamento antes de colocar um novo ser, no mundo, e no meu último emprego, trabalhando de recepcionista, em uma clínica, me deparei com exemplos muito nítidos de como o exemplo dos pais e a forma que eles usam as palavras refletem nas crianças, assim como o estresse e falta de paciência dos mesmos. 

Por um tempo, acreditei que as crianças eram uns verdadeiros monstrinhos, que não sabiam se comportar, gritavam, choravam, rasgavam revistas e batiam coisas o tempo, por serem criaturas que não conseguiam controlar sua energia e não tinham maturidade para ficarem esperando com educação em uma recepção. Contudo, ao observar melhor, comecei a perceber que a maior parte da culpa era de quem os acompanhava, adultos que falavam alto, gritavam com as crianças, as seguravam e as chacolhavam com força para tentar causar obediência. 

Foi durante essa observação, que eu conheci o maior exemplo de que os filhos são espelhos dos seus educadores, uma menina de aproximadamente três anos, que eu nem percebi que estava na sala, e seu irmão, que com dezoito anos não se parece nada com os outros adolescentes que entram por aquela porta, pois os dois são serenos e educados, realmente, diferente do que eu estou acostumada a lidar. Seus pais são dois professores que, ao meu ver, são exemplos de como os pais deveriam tratar seus filhos, conversando, explicando o porquê cada ação deve ser tomada. Quando a pequena de três anos deixou seu guarda-chuva na cadeira da recepção e um papel no chão, seu pai a pediu que pegasse seu objeto e também que juntasse o papel, explicando o lugar de cada coisa. A menina obedeceu e, certamente aprendeu uma lição. Outra vez, ela chegou cansada e braba, no colo da mãe, porém não estava agressiva, como a maioria dos bebês que eu vejo, se debatendo, querendo dar tapas e gritar, ela só ficou acolhida nos braços da mãe, sem vontade de conversar, mas sem desrespeitar ninguém.

Conhecer esta família, foi um grande passo para minha noção de aprendizado e educação. Me fez perceber, de vez, que nada é mais forte que o exemplo e o discurso. Ter uma rotina das refeições com sua família, tornar a criança acostumada com os alimentos certos e ensinar porque ela não pode comer certas comidas em certos horários, surte mais efeito que obrigá-la a se alimentar com brigas e pressão. Um filho ver os pais lendo, compartilhando de leituras e estudos desde sempre e instigado a ser curioso em aprender coisas novas, não precisará ser obrigado a ler e fazer as tarefas da escola. Da mesma forma, se uma pessoa é criada desde que nasce, em um ambiente em que as pessoas resolvem seus problemas com diálogo, no qual pode contar com conselhos e discussões inteligentes quando está com um problema e no qual ao invés de receber castigos, recebe ajuda para perceber que atos trazem consequências e auxílio para mudar suas atitudes, não vai querer tomar um rumo que lhe traga uma vida ruim e nem precisará usar de meios inadequados para conseguir o que quer, pois tem o que necessita: sabedoria.

Logicamente, criar um filho não é só isso, tem muitos poréns, várias exceções e situações diferentes, reações diversas. Obviamente, nenhum pai ou mãe será perfeito na criação de uma criança, pois no ser humano existem as virtudes, mas também os vícios, o erro é inerente a quem vive e não há quem não os cometerá. Também, em nenhum momento, afirmei que é fácil usar de argumentos, até porque para isso é preciso tê-los, é necessários ter sabedoria para transmiti-la, não há como doar o que não se possui. E não é fácil, educar um filho, não é nada fácil, e nunca vi alguém dizer isso. Educar, no sentido mais verdadeiro da palavra, exige dos pais que os mesmos aprendam, estudem, encontrem seus próprios erros e os corrijam o mais rápido possível, reclama energia, esforço, zelo cuidado, obriga entrega total. 

Portanto, se o que se quer é chegar ao dia em que o mundo será povoado de pessoas íntegras e sábias, o método "mais fácil", não vai resolver. Se o que se quer é um mundo melhor, é preciso sim, o quanto antes, substituir a elevação das mão e da voz na criação dos nossos pequenos seres, pelo aumento de diálogo e conhecimento nestes contidos.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Alegria rotineira


Acorda, toma um banho para despertar, acorda as crianças, passa o café, põe à mesa, come, retira a mesa, leva as crianças para a escola, vai para o trabalho, pega as crianças na escola, almoça, lembra as crianças do dever e da aula de línguas, volta para o trabalho, no caminho passa no caixa eletrônico pagar uma conta, manda um sms confirmando se as crianças foram para a aula de línguas e fizeram o dever, na volta pra casa uma passada rápida no mercado, jantar, louça, atenção para as crianças, atenção para o cachorro, atenção para a internet, e... ufa, fim do dia, cama!

Acorda, se espreguiça com vontade, "hm, que dia gostoso"! Liga o chuveiro, aproveita a água quentinha, apesar de rápida, que cai no rosto, e o cheiro gostoso do perfume do sabonete e da colônia, que vem logo em seguida. Escolhe a cor da sombra, passa uma máscara para os cílios e a cor do batom que escolheu pra o dia. Se olha no espelho, "como sou bonita". Chama as crianças, passa um café saboroso, refeição com a família, juntos para a escola, e trabalho. Almoço gostoso com as crianças, beijo e abraço aconchegantes. Continha pra pagar no caixa eletrônico, trabalho, sms confirmando se os pequenos estão fazendo tudo direitinho, resposta carinhosa para a mãe "chata". Passadinha no mercado, jantar com todos reunidos, novamente. Aproveita as crianças e o cachorro, conversa, descontração, risadas, uma olhadinha na internet, e... ufa, fim do dia, travesseiro cheiroso, edredom quentinho, sono gostoso, "como sou sortuda"!

Independente de qual seja sua rotina, aproveite cada momento bom do dia, reserve um tempo pra você, seja no banho, no almoço, em cinco minutos do almoço, troque sorrisos, abrace, ouça uma música, faça o que gosta no meio do que não gosta. Olhar o mundo de uma forma diferente pode tornar tudo mais leve. Independente de qual seja sua rotina, viva!


quinta-feira, 8 de maio de 2014

Mascarar não é resolver

Não pode, não pode e não pode. 

É mais fácil decretar que menor não pode trabalhar para impedir que se escravizem crianças, ao invés, de legalizar e fiscalizar um trabalho para menores dentro do que é aceitável, sem o tirar da escola e sem o explorar. Certamente, há gráficos que mostram que o trabalho infantil diminuiu, porém ao mesmo tempo o gráfico de criminalidade continua subindo e ainda há um grande número de crianças trabalhando para sustentar sua família, vítimas do desemprego e da pobreza, por sua vez causados por corrupção e má distribuição de renda. 

Facilidade se encontra, ainda, em criar artifícios para "manter" as crianças na escola. Os números do Ideb melhoram a cada ano, mas pergunte para uma professora da escola pública quantos alunos que abandonam a escola, tem nos seus cadastros "transferidos" e quantos passam de ano sem ter aprendido o que deviam.  

A escravidão continua acontecendo com crianças e adultos, mesmo depois da abolição. A fome e a pobreza não será sanada com campanhas enquanto o desvio de verbas não parar, e uma forte mudança no embasamento das famílias não começar. A hostilidade racial não acaba na alteração de termos, já que o preconceito não está (só) na palavra e sim em como ela é dita. Combater a criminalidade diminuindo a maioridade penal, e continuar incentivando o consumismo, o amor pelas coisas, e ignorando as falhas na base da estrutura familiar básica, não vai deixar as cidades mais seguras. 

Se só palavras e leis radicais mudassem a situação, nosso país seria o que alcançaria o topo da lista de melhor lugar para se viver. Palavras tem força, leis tem força, mas o que muda algo são as atitudes. O radicalismo conseguiu "inclusões" forçadas, "respeito" forçado, e pessoas sendo as mesmas pessoas que sempre foram, com uma máscara de aceitação. 

Mascarar não é resolver.  E resolver não é fácil, no entanto, não é impossível. 

Considerado utopia ou não, o que a sociedade precisa são mudanças reais, que precisam de vontade e empenho real. Atitudes emergenciais podem e devem ser tomadas para atender ao urgente, enquanto as atitudes a longo prazo estão sendo colocadas em prática. O que não pode é continuar, somente, ditando o que não pode, sem criar base para uma mudança verdadeira.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

O dia em que foi parar no hospício

Talvez já tenha atingido o estado de loucura ao pensar que estão todos conspirando a favor de testar o que se chama sanidade.

Ou talvez, tenha somente chegado à idade na qual todas as loucas criaturas de tamanho reduzido, que imaginam o mundo como querem, se transformam em gigantes, que conseguem ver o mundo (que acreditam ser) real. 

Neste mundo, de gente crescida, ninguém pode sair de pijamas as ruas, ou fantasiados com roupas de fadas, super-heróis da televisão ou animais bonitinhos, ou fazer qualquer outra coisa destinada aos de estatura baixa, mas podem usar máscaras e se passarem por personagens diferentes, sem trocar de vestimenta. Os doces são trocados por bebidas e outras substâncias amargas, mas o efeito continua sendo o mesmo, deixar as criaturas sorrindo.

E por aí vai, reticências e reticências, até parar num sanatório sem sair do lugar.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Littles Einsteins

Os pais olham para seu bebezinho, babando com aquele rostinho lindo, e só pensam em apertá-lo, beijá-lo, protegê-lo de todo mal e toda a informação, pois, aquele cerebrozinho não está preparado para receber aprendizado antes da idade escolar, o que ele precisa é entretenimento com rabiscos e televisão, para ser uma criança feliz. 

Mas de repente, aparece um "geniosinho" de dois anos que acerta todas as bolas nas cestas de basquete, e um de três que toca bateria incrivelmente bem ou um outro que com apenas quatro resolve o cubo mágico em pouco mais de um minuto. Prodígios! Contudo quem merece os aplausos não são as crianças (tudo bem, essas fofuras também merecem) mas seus pais, eles foram os reais moldadores de tanto talento, os que, ao invés de subestimarem seus filhos e lhe oferecerem apenas vídeos e brincadeiras para distração, entregaram aos pequenos doses de conhecimento junto das brincadeiras para serem empolgadamente saboreados a cada aprendizado. 

Uma criança pequena não tem a mesma concentração de um adulto, se distrai e se entedia rápido, e não deve ser sobrecarregada de informação. Contudo, ela está instintivamente em busca de conhecimento que a leve a sobreviver e interagir, precisa apurar seus sentidos e se "especializar" nos sinais que a fará parte da sociedade.

Sendo assim, qualquer criança pode, se estimulada da maneira certa, surpreender com um potencial de aprendizado enorme, sem deixar de ser criança, já que aprender não significa deixar de brincar, se sujar, dormir, se lambuzar, pelo contrário, essas pequenas criaturas, conhecem e descobrem o mundo, exatamente dessa maneira, leve e gostosa, cheia de emoção, cheiros e gostos, que é ser criança.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Frases... [194]

“Quando uma criança se apaixona por uma mulher, é que nem um cachorro correndo atrás de um carro, mesmo se ele alcançar, ele não sabe como dirigir.” [Charlie Harper]

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Frases... [158]


"Nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens… Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso." [William Shakespeare]


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Feliz dia das crianças! (atrasado)



Acredito que a beleza da vida está em ser criança independente da idade que se tem!
Por isso cultive a criança que há em você, com esperança, sinceridade e perdão.
Deixe essa criança tomar conta de você com seus sonhos e seu otimismo...
Não deixemos de ser criança nunca, pois a vida vista pelos olhos de uma é sempre mais bonita! :)


FELIZ DIA DAS CRIANÇAS!!!


Obs: Nem adianta usar isso como desculpa pra ficar pedindo presente, viu?! rs.