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segunda-feira, 25 de março de 2013

Vale pra um, vale pra todos

Não se trata de opinião aceitar o outro como ele é, com as crenças que tem e o perfil de vida que escolheu, se trata, puramente, de respeito. 

Assim como você tem o direito de escolher uma religião, ou outra, ou nenhuma, o outro também o tem. Assim como você tem a possibilidade do perdão, qualquer um possui. Além disso, se você acha que as pessoas não devem ou não podem tomar uma atitude, isso serve para você, sua família e seus amigos, igualmente. 

Em resumo e sem complicação, todos querem ser respeitados e ninguém quer saber de alguém se metendo na sua vida sem ser convidado, sendo assim todos devem respeitar e ninguém deve se meter na vida de ninguém. 

O que mais é intrigante é ver quem prega o amor, a inclusão, o perdão, fazendo exatamente o contrário, quem segue o amar ao próximo como a ti mesmo, sendo o primeiro a apontar o dedo e julgar, ou então, aquele que vive exigindo respeito, desrespeitando a todos o tempo inteiro.

Agir com respeito não interfere o direito de se expressar, de ser quem se quer ser, de defender argumentos; pelo contrário, não ultrapassando o limite do preconceito, da ignorância e, principalmente, da imposição de regras, esse direito é estendido a todos.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Se os tubarões fossem homens

[Sugestão da minha amiga Katia *-*]


Se os tubarões fossem homens, eles seriam mais gentis com os peixes pequenos. Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais. Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias cabíveis, se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim de que não morressem antes do tempo. Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, ele dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos.
Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a goela dos tubarões. Aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos. Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses que velam pelo belo futuro dos peixinhos. Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência.
Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros. As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que, entre os peixinhos e outros tubarões existem gigantescas diferenças. Eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidos mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro. Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.
Também haveria uma religião ali. Se os tubarões fossem homens, eles ensinariam essa religião. É só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida.
Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros. Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões, pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar. E os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiros da construção de caixas e assim por diante.
Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.*

Bertold Brecht

(*texto com cortes)